Vídeo simples, celular na mão, uma tomada só. Um textinho na tela e ele falando. Sem edição, sem corte, sem legenda animada. Gravou, dá o Gravei. Não curtiu, dá o Não curti e escreve o motivo. Na aba Referências, os vídeos para assistir. Na aba Treinar, os dez jeitos de falar tirados deles.
João gravou hoje0 de 10
Quem está aqui:
cloud_queue conectando
check_circle O que ele já gravou
Assim que ele dá o Gravei, o card sai da lista e cai aqui, para não ficar rolando conteúdo já feito.
Marcou sem querer, é só dar Voltar pra lista e ele reaparece na aba Gravar.
check
thumb_down O que o João não curtiu
Tudo nasce na aba Gravar. Aqui só cai o que ele mandou embora.
Se ele escreveu o motivo, ele aparece no card. É com esse motivo que a gente refaz melhor.
Mudou de ideia, é só dar Voltar pra Gravar e o card volta para a lista.
info Como gravar
Celular na mão, luz natural, cenário da vida real. Carro, cozinha, consultório, varanda.
Não precisa decorar. Abre no Ler grande e vai falando parágrafo por parágrafo.
O título da tela é o textinho que entra em cima do vídeo. A legenda do post é de uma linha só.
Gravou, dá o Gravei e o card sai daqui, vai para a aba Gravados. A lista só mostra o que ainda falta, então não tem que rolar por cima do que já foi feito.
Não gostou do roteiro, dá o Não curti, escreve o motivo em uma linha e ele some da lista também.
Prova do ENARE: 13 de setembro. Os que citam a contagem de dias devem ir ao ar na semana em que forem gravados.
visibility Como usar este repositório
Assiste sem pensar em copiar o assunto. O que importa é o jeito de falar, não o tema.
Em cada criador tem o traço isolado, aquilo que dá para levar para o nosso conteúdo.
Os números ao lado de cada vídeo são as visualizações reais no dia em que a lista foi montada.
Repositório vivo. Sempre que aparecer uma referência boa, ela entra aqui.
Ele confessa antes de ensinar. O vídeo com mais views do perfil não é dica nenhuma, é ele dizendo que pensa em desistir com frequência.
O título é uma etiqueta branca com uma frase declarativa curta. E a legenda do post tem uma linha só, quase repetindo o título, sem hashtag e sem chamada.
O que reparar: ele nunca parece que está gravando. Não tem entonação de apresentador, não tem abertura, começa já no meio do assunto. E olha para a câmera como quem olha para uma pessoa.
Ele fala com uma pessoa só. Não é "galera", é "tu". E o assunto chega como recado, não como aula.
Os vídeos não têm texto na tela, não têm corte e a legenda tem três ou quatro palavras. Só ele, na rua, olhando na câmera.
A prova de que funciona: no vídeo de 13,6 milhões a resposta da galera não é "bom conteúdo", é "essa mensagem chegou na hora certa" e "eu passo por isso todos os dias, eu tô exausto". Postado em junho de 2025 e ainda recebia comentário nesta semana. Ele responde quase todo mundo.
O título dele é escrito como fofoca de amigo, sempre com um pé atrás: "acho que", "tô achando que", "eu tenho quase certeza", "eu quase não postei".
E tem uma fórmula que ele repete até virar assinatura: "Pega o hábito de ___".
O que reparar: ele nunca promete resultado no título. Só divide uma observação. E grava em qualquer lugar, inclusive na academia e no carro, o que faz o vídeo parecer que não foi planejado.
Ela numera as dicas e nunca zera a contagem: "Dica 1062", "A dica nº 272 é". O número sozinho já diz que existe um acervo atrás daquilo.
E ela põe o valor cru no título quando tem: "Esse único criativo vendeu R$1 milhão" fez 65,8 mil views num perfil de 3,5 mil seguidores.
Como isso vira nosso: "Dica 47 da reta final" custa o mesmo que gravar sem número, e cria o hábito de esperar a próxima. Vale abrir uma série que continue depois da prova.
Ele entrega a analogia inteira antes de dizer o nome técnico. O termo entra no fim, como etiqueta do que a pessoa já entendeu.
O traço é tão central que está escrito na bio dele: "faço analogias pra ensinar sobre infecções". E quase sempre tem um objeto na mesa fazendo o papel do conceito.
Por que ele é a melhor referência da lista: é médico, grava sentado em casa, sem produção, e mesmo assim tem reels de 1, 1,6 e 5 milhões com 1,6 mi de seguidores. É o formato exato que a gente quer, no mesmo tipo de conteúdo pesado.
Ela reencena o atendimento com as falas dentro. Repete a pergunta que fez e a resposta literal do paciente, na entonação do paciente. A informação técnica entra só no fim.
Como vira nosso: em vez de dizer que muito aluno chega despreparado, o João reencena. "Eu perguntei pro cara na banca: como tu abordaria esse côndilo. Ele me olhou e falou, eu ia chamar o R3."
Abre pelo erro que o aluno comete, entrega uma lição só e encerra no ponto. Sem "hoje vamos falar sobre" e sem "até a próxima".
Como vira nosso: um vídeo só sobre decorar classificação de fratura de côndilo sem saber o que muda na conduta. Mostra o erro do jeito que o aluno faz, corrige, dá o gancho de memória e corta seco em 40 segundos.
pending Na fila, para assistir antes de adotar
Cinco traços que valem o teste
visibility a conferir
O perfil de cada um existe e foi conferido. O que ainda não foi checado vídeo a vídeo é se o traço aparece do jeito descrito. Vale assistir três reels de cada antes de virar régua.
Fala com a mão suja, sem parar o serviço. A voz sai no ritmo do corpo trabalhando, com pausa quando o esforço pede, e essa cadência nenhum estúdio imita.
E ele narra o perrengue por dentro dele, enquanto ainda não deu certo, então quem assiste fica pra ver como termina.
Como vira nosso: gravar saindo do bloco, touca ainda na cabeça, cansado de verdade. Não é encenação de cansaço, é gravar no momento em que ele já está assim. Começou levando um tripé junto com as ferramentas, e um vídeo de trocar caixa d'água passou de 11 milhões.
Ele já aparece no meio da energia, no volume e na cadência do pregão. Sem "oi gente", sem apresentar assunto e sem respirar antes.
É a voz de quem chama na rua há vinte anos, uma habilidade que ele treinou trabalhando, não estudando comunicação.
O que reparar: quem passa no feed pega a cena no auge, nunca no aquecimento. O primeiro vídeo dele, gravado por um amigo que disse "deixa eu filmar isso", passou de 2 milhões.
Dá o motivo pequeno e sem glamour no lugar do motivo bonito. Perguntam de onde vem a disposição de levantar cedo e ele responde aluguel que mata, mulher, meninos, conta de luz.
Diz isso rindo, sem tom de coitado e sem tom de herói. É exatamente o motivo que quem assiste tem e não fala em voz alta.
Como vira nosso: "o que me levantava de manhã naquela época era meu pai dizendo que, se eu quisesse fazer prova de novo, eu voltava de ônibus." O motivo verdadeiro conecta mais do que o motivo nobre.
Evandro Silva, o Vendedor Sincero
· ambulante em Nova Iguaçu · vídeos no TikTok
search perfil não confirmado
O traço
Diz o defeito antes de o outro enxergar, no mesmo volume com que diria a parte boa. Vende falando mal da própria mercadoria: "eu mesmo não comprava", "bala ruim da peste".
O elogio que vem depois passa a valer, porque ele já provou na frente do cliente que fala o que vê. O humor cai sempre nele e na mercadoria, nunca em quem está ouvindo.
Atenção: a pessoa, a cidade e os bordões estão em reportagem de quatro veículos, mas o perfil exato não foi confirmado. Buscar por "Vendedor Sincero" no TikTok antes de usar como referência.
psychology Reflexão que conecta
Pedro Calabrez
@pedro.calabrez· 1,9 mi seguidores · neurocientista, PhD UNIFESP
verified conferido
O traço
Entra pelo comportamento que a pessoa reconhece na hora e só depois entrega a causa, numa frase de mecanismo.
Prende porque a pessoa sente que está sendo explicada, não aconselhada. E explicação não dá vontade de discordar.
Por que serve tanto pro João: ele já faz isso sem perceber, quando fala de erro anotado e neuroplasticidade. É o traço que impede o roteiro de virar coach.
Abre contando o caso de outra pessoa em voz baixa, ritmo de mesa de bar, sem gancho de anúncio. No meio ele muda o tom e solta a frase que dá nome ao que o ouvinte sente e nunca soube chamar.
Termina sem chamada nenhuma, com uma frase curta que fecha o raciocínio.
Demora no exemplo e é rápido na conclusão. Gasta a maior parte do tempo numa cena boba, com detalhe demais, e resolve a lição em uma frase.
Se coloca dentro da cena como o culpado, o que tira o púlpito da frente dele. No fim baixa o volume em vez de subir.
Dois que saíram na conferência: o Vovô Anésio (@caioeovovoanesio) tinha o traço de não consertar a frase depois de dizer, mas o perfil hoje é de pré-candidato a deputado estadual, então não serve de referência pra mandar pro João. E a Garigata (@esthersantosoficiall) virou perfil de figura pública, o que enfraquece justamente o traço dela, que era dizer o próprio trabalho sem desculpa na frente.
mic Dez jeitos de falar
Isto aqui não é assunto de vídeo. É o jeito de dizer, tirado dos perfis da aba anterior.
Cada um vem com uma frase de exemplo já na boca do João, para ele testar em voz alta.
Do 1 ao 4 vieram dos criadores de conteúdo. Do 5 ao 10 vieram da reflexão e da gente comum.
Cada um termina com uma ideia de vídeo pronta usando aquele jeito. São dez pautas para começar.
Não precisa usar os dez. Dois por vídeo já muda o resultado.
01 Sem abertura e sem despedida
A primeira frase já está dentro do assunto e a última é o conteúdo acabando. Nada de "oi galera", nada de "hoje eu vou falar sobre", nada de "até a próxima".
Na boca do JoãoNa residência tu descobre que o plantão cansa menos do que ter que explicar em casa por que tu tá daquele jeito.
Quem faz: Ladeira, Noslen
lightbulbVídeo com esse jeito: o que ninguém conta sobre o primeiro mês de residência. Começa na cena do primeiro dia, sem explicar que vai contar.
02 Analogia antes do nome
A cena concreta vem inteira primeiro. O termo técnico entra no fim, como confirmação do que a pessoa já entendeu.
Na boca do JoãoImagina a parede inteira do prédio soltando na altura da marreta, e o resto do prédio fica de pé. É isso que aconteceu na cara do teu paciente. Esse aí tem nome, é Le Fort I.
Quem faz: Kores
lightbulbVídeo com esse jeito: Le Fort explicado pela parede do prédio, com a mão desenhando no ar. Serve para uma série inteira, uma fratura por semana.
03 Caso com hora, lugar e fala
Conta o caso pelo detalhe físico e repete a frase literal de quem estava lá, sem nenhum adjetivo de reforço em cima. A cena pesa sozinha.
Na boca do JoãoQuatro da manhã, plantão. O cara desceu da moto sem capacete, me olhou e falou assim: doutor, eu só quero conseguir fechar a boca.
Quem faz: Drauzio, Jade
lightbulbVídeo com esse jeito: um plantão de quatro da manhã que ele lembra até hoje, com a frase literal que o paciente falou. Sem lição no fim.
04 Calar depois da pergunta
Faz a pergunta, segura dois segundos de silêncio olhando na lente, e só então responde ele mesmo. Nesse silêncio quem assiste responde por dentro, e por isso não sai do vídeo.
Na boca do JoãoPor que que tu sabe a matéria toda e trava na hora da prova? (dois segundos parado, olhando na lente) Porque tu nunca treinou responder cansado, velho.
Quem faz: Cortella
lightbulbVídeo com esse jeito: por que tu sabe a matéria e trava na hora da prova. Pergunta, dois segundos de silêncio olhando na lente, resposta.
05 Separar duas palavras que a gente usa como se fossem a mesma
Cansaço e culpa. Orgulho e vaidade. Pressa e urgência. Ele separa as duas no meio do vídeo e obriga a pessoa a escolher em qual das duas ela está. É a virada do roteiro.
Na boca do JoãoCansaço é o corpo pedindo pausa. Culpa é tu deitar e ficar de olho aberto achando que devia estar de pé. Faz uns meses que tu não sente cansaço, tu sente culpa, e culpa não descansa com sono.
Quem faz: Cortella
lightbulbVídeo com esse jeito: um vídeo inteiro só separando cansaço de culpa. Dá para repetir a fórmula com orgulho e vaidade, pressa e urgência.
06 Dar nome ao que a pessoa sente
Pegar o que ela chama de preguiça, ou de falta de tempo, e mostrar o que é de verdade por baixo. É isso que separa reflexão com tese de frase de card.
Na boca do JoãoIsso que tu chama de preguiça de responder a mensagem da tua mãe tem outro nome. É o cansaço de ter que dar notícia boa pra quem te ama e tá esperando. Tu não some porque não liga, tu some porque liga demais e ainda não tem o que contar.
Quem faz: Rossandro Klinjey
lightbulbVídeo com esse jeito: aquilo que tu chama de preguiça de responder a mensagem da tua mãe tem outro nome. Dá nome e para.
07 Ser o réu do próprio exemplo
Contar a cena ridícula em que quem fez a besteira foi ele, com detalhe demais, e só depois dizer o que aquilo significa. Tira o púlpito da frente. Serve de abertura.
Na boca do JoãoOntem eu abri o celular só pra ver a hora e saí de lá quarenta minutos depois, sabendo da vida de um cara que eu nunca vi. Eu, adulto, pai, cirurgião. E o que me custou caro não foram os quarenta minutos, foi a vergonha que veio depois e comeu o resto da tarde.
Quem faz: Clóvis de Barros Filho
lightbulbVídeo com esse jeito: os quarenta minutos que ele perdeu no celular ontem, contados com detalhe demais, e a vergonha que comeu o resto da tarde.
08 Dizer por que o corpo faz aquilo
Uma frase de causa no meio do vídeo, no lugar do conselho. A pessoa sente que está sendo explicada, não aconselhada, e explicação não dá vontade de discordar. O João já tem isso em casa, ele fala de neuroplasticidade desde sempre.
Na boca do JoãoQuando tu vê o story do colega comemorando e teu peito afunda, teu cérebro leu aquilo como ameaça e disparou a mesma resposta que ele dispararia se um carro buzinasse do teu lado. Teu corpo tá te tirando de um perigo que não existe.
Quem faz: Pedro Calabrez
lightbulbVídeo com esse jeito: por que o teu peito afunda quando tu vê o story do colega aprovado. Explica o mecanismo, não dá conselho.
09 Entrar já no meio da energia
O vídeo abre com o corpo já no meio do serviço, no volume e no ritmo de quem está trabalhando. Quem passa no feed pega a cena no auge, nunca no aquecimento.
Na boca do JoãoSete quilômetros a pé na beira da estrada, mala nas costas, chorando, anoitecendo, e é desse dia que eu me lembro toda vez que tu me diz que quer largar tudo.
Quem faz: Samurai da Feira
lightbulbVídeo com esse jeito: os 7 km na beira da estrada. Abre na cena andando, chorando, sem contexto nenhum antes.
10 Falar enquanto faz
Gravar com o trabalho acontecendo na mão, sem parar o serviço. A voz sai no ritmo do corpo trabalhando, com pausa quando o esforço pede, e essa cadência nenhum estúdio imita.
Na boca do JoãoTô saindo do bloco agora, touca ainda na cabeça, então se a minha fala sair arrastada é porque eu tô arrastado mesmo. E é assim mesmo que eu preciso te falar de um cansaço que tu carrega e acha que é preguiça.
Quem faz: Rafael Pedreiro
lightbulbVídeo com esse jeito: saindo do bloco, touca ainda na cabeça, falando do cansaço que a pessoa acha que é preguiça. Gravar no dia em que ele já estiver assim.
block O que não copiar de ninguém
Frase pronta de card e aforismo fechado. É a fronteira do coach.
Tom de palco, plateia e vocabulário de autoajuda.
Velocidade de cursinho. O aluno de residência chega cansado.
Zombar de quem errou. Boa parte do público já reprovou, então a cena serve para reconhecimento.